Índice de resgate de animais silvestres continua a crescer em Jaraguá do Sul


Esta semana,  biólogos da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama) promoveram esta semana o encaminhamento de mais quatro espécimes ao Centro de Triagem de Animais Selvagens (Cetas) em Florianópolis. Seguiram para a Capital dois filhotes de coruja, um jabuti, cágado exótico, além de um papagaio. O encaminhamento foi possível graças ao Programa de Resgate de Fauna mantido pela própria Fujama.

Criada em 2017, a iniciativa tem registrado aumento significativo de ocorrências que envolvem o recolhimento de animais silvestres em áreas residenciais. Somado até o começo desde ano este índice já chegava a 474%. Ao que tudo indica, esse aumento deve se manter. Afinal, neste primeiro semestre de 2022 foram registrados 392 casos, elevação de quase 29% se comparado ao mesmo período de 2021.

Para o biólogo da Fujama, Gilberto Adhemar Duwe, esses números evidenciam que a comunidade, de uma forma geral, está mais consciente em relação a importância para o meio ambiente dos espécimes que, eventualmente, aparecem em suas residências ou quintais. “Um exemplo disso são as cobras. Sempre houve serpentes na cidade algo que fica evidente em dias mais quentes. Só que antes as pessoas encontravam o animal e o matavam. Hoje, elas acionam a Fujama e os Bombeiros para buscá-lo”, observou Duwe. Outro fator, segundo ele, é que atualmente 40% do território de Jaraguá do Sul ainda é composto por vegetação de Mata Atlântica.

O outro biólogo que realiza este trabalho na Fujama, Christian Raboch Lempek, destaca que as serpentes lideram este ranking destes resgates, algo em torno de 46%. “Apesar do medo natural que despertam nos seres humanos apenas 30% das cobras resgatadas em Jaraguá do Sul são peçonhentas. “A grande maioria 116 espécimes (70%) eram dormideiras, que são inofensivas ao homem. Outro exemplo são as caninanas, que impressionam pelo tamanho, mas não possuem veneno”.

Entre os mamíferos, os gambás estão no topo da lista de resgate. Somente em 2021, 182 destes animais foram recolhidos em áreas residências jaraguaenses. Mas espécimes raros como filhotes de lontra, gato-maracajá, tamanduá-mirim e até porco-espinho também marcaram presença na área urbana da cidade. Durante o inverno, os casos de corujas que se chocaram contra vidraças ou veículos também movimentaram as equipes de biólogos da Fujama.

Cuidados – Segundo a Fujama nunca tente capturar um animal sem os equipamentos necessários. No caso de serpentes a dica é chamar a equipe da Fujama ou dos Bombeiros Voluntários. O mesmo vale para aves e mamíferos como corujas, gambás, gatos-do-mato, cachorros-do-mato ou até macacos. “Ao se sentirem acuados, esses animais podem se defender com mordidas ou arranhões”, explicou Christian Lempek.

SERVIÇO
Durante a semana, no horário das 7h30 às 17 horas, o resgate de algum animal em área residencial pode ser solicitado à Fujama pelo telefone 3273-8008. No período da noite, fins de semana e feriados este trabalho é feito pelos Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul por meio do Serviço de Emergência 193.