Violência doméstica cresce e Presidente não atende RBN para explicar paralisação do Condim por quase dois anos


Numa das cidades com um dos maiores índices de violência doméstica do Estado, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Jaraguá do Sul está prestes a completar dois anos de paralisação. De acordo com a Presidente do conselho, Manuela Wolf, em resposta às vereadoras e procuradoras da Câmara, Nina Camello (PP) e Sirley Shappo (NOVO), as atividades foram desativadas  em função da pandemia. Nem mesmo  reuniões on-line teriam sido realizadas.

O departamento de Jornalismo da RBN procurou a presidente do Conselho para uma reportagem sobre o assunto e  questionar  para quando está prevista a retomada dos trabalhos. No entanto, quase dois meses depois do contato, a presidente que também responde pela chefia de gabinete da Prefeitura, ainda não retornou.

Entre os questionamentos, a reportagem perguntou

  • O conselho da Mulher vai ficar parado por 2 anos?
  • Quando foi a última reunião do Comdim?
  • Nesse período de pandemia, algumas pesquisas mostraram que a violência contra a mulher aumentou. Em função disso, as ações não deveriam ser acentuadas?
  • A senhora não acha que é receoso desativar o COMDIM por dois anos numa cidade que tem uma das maiores médias de violência doméstica do estado? Dados apresentados na Câmara neste mês pela PM, apontam média de quase duas ocorrências por dia.

Nesta semana o Departamento de Jornalismo voltou a lembrar a Presidente sobre os questionamentos feitos em setembro. As mensagens foram visualizadas, mas não houve retorno.

NÚMEROS CRESCENTES EM JARAGUÁ

Durante sessão dos vereadores em 02 de setembro, a convite das vereadoras Nina Santin Camello (Progressistas) e Sirley Schappo (Novo), a sargento do 14° Batalhão de Polícia Militar Monalisa Maurissens apresentou os dados no município da Rede Catarina de Proteção à Mulher.

OCORRÊNCIAS

2021: 331  (até o mês de agosto)

2020: 645

2019: 578

MEDIDAS PROTETIVAS

2021: 266 (até agosto)

2020: 281

ABORDAGENS

2021 – 322 (até agosto)

2020 – 343

2019 – 274

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NA PANDEMIA

A pandemia tornou lar ambiente ainda mais hostil. A informação está na Pesquisa  “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, retratada em reportagem publicada pela Agencia Brasil EBC (https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2021-06/violencia-domestica-pandemia-tornou-o-lar-ambiente-ainda-mais-hostil)

No último ano, uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos diz ter sofrido algum tipo de violência ou agressão, no Brasil. A proporção corresponde a 17 milhões de mulheres vítimas de violência física, psicológica ou sexual.

A proporção de vítimas é maior entre as negras e mais jovens. Mais de uma em cada três mulheres, entre 16 e 24 anos, relatam terem vivido algum tipo de violência. Entre as mulheres pretas mais de 28% delas relataram que sofreram agressões.

A residência continua sendo o lugar mais perigoso. Praticamente metade dos casos de violência aconteceu dentro de casa, e 73% dos agressores eram íntimos das vítimas. Maridos ou namorados em primeiro lugar, seguidos de ex-maridos ou ex-namorados, pais ou mães, padrastos ou madrastas e mesmo filhos e filhas.

Os números estão na terceira edição da pesquisa “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Para Amanda Pimentel,uma das autoras do estudo, o estudo mostra que a violência contra a mulher mantém padrões antigos, mas agravados pela pandemia do coronavírus,que conseguiu tornar o ambiente doméstico um lugar ainda mais hostil.

Em setembro, vereadoras questionaram as atividades do Condim

Segundo o estudo, a crise sanitária tem dificultado o enfrentamento da violência contra mulher, já que o convívio mais longo com os agressores, a perda de renda familiar e o maior isolamento afastam as mulheres de suas redes de proteção.

Manuela Wolf