Editorial: Pressionados por CPI, Antídio e Ademir decidem pela exoneração


A decisão tomada pela cúpula do Executivo de Jaragu´á do Sul foi antecipada pelo jornalismo da RBN em duas reportagens no fim de semana. A situação nos bastidores da Prefeitura estava insuportável. Havia pressão interna diária e constante dos próprios aliados. Ao contrário do que disse Ademir, em nota publicada* em veículos alinhados ao Executivo, seus principais adversários estavam dentro de casa. Era fogo amigo. (*A Nota não foi enviada à redação da RBN. Se tivesse, seria publicada na íntegra)

Antídio reuniu velhos inimigos da história política de Jaraguá do Sul na coligação vencedora e na mesma trincheira. As aparências nunca revelaram o veneno que corre nos bastidores. Foram eles mesmos, MDB e Podemos principalmente, que impediram, por exemplo, que Nina, do partido de Ademir, assumisse a presidência da Câmara.

A oposição hoje, apesar de ferrenha com Jeferson Cardozo, atenta e fiscalizadora com Sirley Shapppo e inteligente com Rodrigo Livramento, não nutre aquele ódio rançoso da velha política. E poderia até incluir o senso de justiça da vereadora Nina Camello, que se diz independente, votando com o coração e não pelas ordens emanadas do Gabinete.

A cúpula não está preocupada com Ademir Isidoro. O foco está na campanha de Antídio nas eleições estaduais. A grande preocupação está relacionada aos efeitos de uma CPI em andamento durante a campanha dele ao governo do estado, onde MDB e PP estarão em lados opostos. O que ele diria nas entrevistas e debates quando questionado sobre as investigações de corrupção que pairam sobre o seu governo. Porque não agiu antes? Porque não afastou os supostos envolvidos?

Seria um prato cheio para os seus adversários. E uma disputa estadual não é uma corrida municipal com apoio de quase todas as siglas partidárias locais numa eleição em meio à pandemia, que alcançou recordes de reeleição. Foi a eleição com o maior percentual de prefeitos reeleitos nas últimas décadas. Só não se reelegeram os prefeitos muito ruins mesmo. Em meio a pandemia, os eleitores preferiram não arriscar na mudança.

As letras “C P e I” , ainda assombram e provocam terror e pânico em prefeitos, governadores e presidentes. Ainda bem. Pelo menos existe um freio para eventuais ações tresloucadas e autoritárias.

Resta saber agora como será o comportamento dos vereadores. Será que a exoneração de Ademir foi uma moeda de troca pela não implantação da CPI? Se for, a imagem dos vereadores poderá ficar ainda mais arranhada do que a própria imagem do SAMAE. Seria empurrar a sujeira para debaixo do tapete e configuraria o que reclamou Ademir, que o foco das críticas era pessoal.

Errou Ademir em não ter saído antes, ao perceber que as denúncias eram graves e envolviam gente de confiança indicada por ele e pelo prefeito. Ele mesmo deveria ter exonerado as pessoas sob suspeita. Deveria ter buscado a imprensa para dar esclarecimentos. Não lhe faltaram oportunidades. A RBN lhe procurou várias vezes e não obteve retorno.  

O próprio Antídio se afastou do assunto. Talvez tenha achado que a não divulgação em seus veículos de comunicação e outros órgãos parceiros, seriam suficientes para que o assunto morresse sem notoriedade. Enganou-se. Como Chefe do Executivo deveria ter tomado as medidas necessárias no começo das denúncias.

A investigação já está em andamento em processo administrativo interno no próprio SAMAE, no Ministério Público com apoio do GAECO e agora deve ser encaminhada na Câmara de Vereadores com a Comissão Parlamentar de Inquérito.

Que ninguém seja execrado previamente e publicamente sem o devido processo legal de ampla defesa. Que nenhuma injustiça seja cometida. Existem fortes indícios de corrupção e desvio do dinheiro público que precisam ser investigados. Situações que a sociedade não admite e que a imprensa não pode compactuar com a conivência.

E no final, se houverem culpados, que sejam responsabilizados e punidos com o devido rigor da lei.